Exercício de completar uma sequência de proposições de um texto narrativo.
(A cinzento, assinalam-se as proposições a completar)
Completa a sequência de acontecimentos da história.
(Apresentação em pretérito perfeito)
- A Zenóbia, uma velha viúva, começou a falhar a vista.
- Zenóbia chamou o médico da vila que se chamava Zaratustra.
- Zaratustra visitou várias vezes Zenóbia para a observar e cada vez que lá ia tirava-lhe um objeto precioso às escondidas.
- Passado um mês, Zaratustra disse que Zenóbia já estava boa e pediu que ela lhe pagasse os seus serviços.
- Zenóbia declarou que não pagava.
- Zaratustra queixou-se ao juiz.
- No julgamento, Zenóbia disse que não estava curada e que estava até pior porque tinha deixado de ver os objetos de valor que tinha em casa.
- Zaratustra foi obrigado a devolver tudo o que tinha roubado.
(Apresentação em presente do indicativo)
- A Zenóbia, uma velha viúva, começa a falhar a vista.
- Zenóbia chama Zaratrusta, o médico da vila.
- Zaratustra visita várias vezes Zenóbia para a observar e, cada vez que lá vai, tira-lhe um objeto precioso às escondidas.
- Passado um mês, Zaratustra diz que Zenóbia já está boa e pede que ela lhe pague os seus serviços.
- Zenóbia declara que não paga.
- Zaratustra queixa-se ao juiz.
- No julgamento, Zenóbia diz que não está curada e que está até pior porque já não vê os objetos de valor que tem em casa.
- Zaratustra é obrigado a devolver tudo.
(Apresentação nominalizada)
- Falha da vista de Zenóbia.
- Consulta ao médico da vila.
- Visitas de Zaratustra a Zenóbia para a observar e, roubo de objetos preciosos às escondidas.
- Alta de Zenóbia e pedido de pagamento dos seviços do médico.
- Recusa de pagamento.
- Queixa ao juiz por Zaratrusta.
- Julgamento: argumento de Zenóbia que aponta para a não visibilidade dos seus objetos de valor.
- Condenação de Zaratustra a devolver tudo.
Opinião pessoal: a resposta na forma nominalizada para ser coerente com o que se apresenta seria particularmente difícil para os alunos.
A velhinha e o médico
Era uma vez, numa longínqua aldeia do Oriente, uma velha viúva chamada Zenóbia. Vivia sozinha, pois os seus dois filhos estavam sempre a viajar pelo mundo e só vinham a casa de vez em quando. Como ainda estava muito lúcida, as pernas andavam bem e o seu estômago até pedras digeria, a nossa velhota tinha uma vida muito agradável, tanto mais que nem sequer lhe faltava dinheiro. Infelizmente, com os anos chegam também algumas doenças, mais ou menos graves. A ela começou a enfraquecer a vista. De começo, não deu muita importância ao facto, mas como o mal aumentasse, decidiu ir ao médico da vila, que se chamava Zaratustra.
Zaratustra era competente no exercício da sua profissão, mas também ambicioso e desonesto. Ora, naquela época, havia poucos clientes, uma vez que os habitantes da terra gozavam de uma saúde de ferro. Por isso, mal soube que a velhota andava à sua procura, correu como um raio ao seu encontro.
- Bom dia, minha querida Zenóbia! Em que lhe posso ser útil? Doem-lhe os ossos? Alguma variz lhe rebentou nas pernas?
E enquanto fazia estas perguntas à sua cliente, ia coscuvilhando em volta. Nunca entrara naquela casinha... e que casinha! O que ali ia de objectos de valor! Aqui uma pequena ânfora de alabastro, ali uma pequena lâmpada de ouro, além um tapete de quarto em seda com um magnífico padrão com palmeiras e leões, sobre o qual estavam umas pantufas bordadas com fio de prata...
- Não, não é nada disso. É a vista que não está bem, Zaratustra. A cada dia que passa vejo pior e por este andar dentro de pouco tempo não poderei fazer as coisas mais simples. Por isso pedi que me visitasse e me dissesse que esperanças de cura posso ter.
- Chegue-se aqui para perto da luz, Zenóbia... Olhe ali para cima... isso, assim mesmo... Agora procure seguir com o olhar o meu dedo a mexer... isso... muito bem!
Zaratustra deu logo conta de que a doença não era grave. A velha viúva apenas se tinha cansado mais do que o normal ao tecer à noite, à luz fraca da candeia. Para ficar boa bastar-lhe-ia um pouco de descanso e alguns remédios. Mas a ocasião era demasiado boa.
- Ah, isto ainda demora o seu tempo – afirmou. - Mas vou conseguir curá-la. A partir de amanhã, passarei todos os dias a pôr-lhe nos olhos um remédio inventado por mim. Vai ter de passar algumas horas por dia de olhos fechados. E é tudo.
Aliviada, Zenóbia despediu-se e, na manhã seguinte, Zaratustra bateu à porta. Trazia na mão um pequeno recipiente com o seu prodigioso emplastro. Mandou a velhinha deitar-se, medicou-a e despediu-se. Mas, ao chegar ao centro do quarto, voltou para trás nos bicos dos pés, pegou na pequena ânfora de alabastro e foi-se embora.
No dia seguinte, aconteceu o mesmo: foi a vez da candeia de azeite. Depois desapareceram o tapete, um punhal com cabo de marfim, algumas meadas de seda, um grande prato de bronze... Entretanto, Zenóbia, que ia recuperando a vista, começava a sentir o seu quarto cada vez mais despido. Um mês depois, Zaratustra declarou que a velhota estava boa e pediu os seus honorários: vinte moedas de ouro.
- Não lhe pago - respondeu tranquilamente Zenóbia.
E, por mais que o médico reclamasse e se zangasse, ela não cedeu.
A Zaratustra, não restou outro remédio senão ir ter com o juiz da aldeia. No dia combinado, os dois apresentaram-se diante dele.
- Eu curei esta mulher! - começou por dizer Zaratustra, em tom colérico. - Por isso reclamo os meus honorários. Mas ela recusa-se a pagar-mos!
- É verdade ou não é, senhor juiz, que apenas se pagam os serviços prestados? - perguntou Zenóbia.
- Com certeza, boa mulher - concordou o juiz.
- Pois bem, não pago nada a este homem porque, contrariamente ao que afirma, não me curou. Muito pelo contrário, posso garantir-lhe que fiquei muito pior do que estava antes.
- Pode provar o que afirma? - perguntou o juiz. - É que os seus vizinhos, aqui presentes, dizem que anda direita como um fuso e veloz como um raio. Portanto, deve ver...
- A prova é esta- interrompeu-o a velha. - Antigamente via todos os objectos de valor que tinha dentro de casa, mas depois de ele me ter tratado deixei de os ver. Nem um sequer!
Perante isto, o público desatou a rir às gargalhadas, e Zaratustra, envergonhado, teve de devolver tudo o que roubara.
Moral da história: são os próprios desonestos que fornecem os melhores argumentos contra si mesmos.
ESOPO, As mais belas fábulas de Esopo, Il. De Michael Fiodorov, col. Grandes ilustradores da Escola Russa, Porto, Civilização, D.L., 1993, pp. 65-68.