A minha relação com a leitura começou muito pelas imagens dos livros. Lembro-me de ilustrações fortes, quase como pinturas clássicas, que me chamavam a atenção e me faziam ficar. As histórias faziam-me viajar e continuavam comigo durante dias. Cresci rodeado de livros — a minha mãe era professora do ensino primário — mas, curiosamente, nem sempre lia muito. Gostava de ler, mas sempre gostei ainda mais de ouvir histórias. A escuta teve, desde cedo, um papel importante para mim.
Enquanto aluno, sempre fui bom leitor e a escrita também nunca foi um grande problema. Nunca me considerei uma pessoa muito criativa a escrever, mas sempre fui bastante ligado à emoção. Os meus textos procuravam dizer algo verdadeiro, algo que eu sentia. Isto manteve-se ao longo da adolescência e da vida adulta, com leituras feitas de muitas formas diferentes: livros, jornais, internet, vídeos, audiolivros...
Hoje, enquanto professor do 1.º ciclo, não separo a leitura e a escrita da comunicação. Para mim, lá no fundo, tudo é comunicação. Aprender a ler e a escrever é aprender a comunicar melhor, a conseguir dizer o que se pensa e o que se sente. Nos textos dos meus alunos, valorizo sobretudo a criatividade, a verdade, a emoção e o esforço. A correção é importante, mas não acima daquilo que o texto tem para dizer.
Leio de forma variada, conforme o tempo que tenho, e escrevo muito em contextos profissionais, como relatórios e registos. Gosto que estes textos sejam claros e úteis. Quando escrevo por gosto, escrevo quase sempre a partir daquilo que sinto. Acredito que ler e escrever são importantes, não como um fim em si, mas como uma forma de ajudar as pessoas — e os alunos — a não ficarem fechados dentro de si, sem conseguirem comunicar com os outros.