Tarefa 1-A compreensão da leitura não é automática, mesmo quando há fluência na leitura

Tarefa 1-A compreensão da leitura não é automática, mesmo quando há fluência na leitura

by Maria Helena Machado de Sousa Magalhães -
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 A fluência da leitura é um indicador de sucesso. Ler bem, de forma precisa, com a voz bem colocada, com as pausas necessárias e boa entoação é um bálsamo numa aula de português. Todavia, essa fluência, muitas vezes, entendida como competência de leitura nem sempre se revela competente. A compreensão da leitura não é automática, mesmo quando a fluência é evidente. A leitura precisa e automática das palavras é uma condição necessária, mas não suficiente, para que se construa significado a partir do texto. Por outras palavras, ler é compreender e compreender requer um conjunto amplo de conhecimentos (vocabulário, conhecimento de conteúdo, conhecimento literário), estratégias (monitorizar, resumir, inferir, prever, questionar) e disposições (motivação e envolvimento com o texto) que vão muito além de saber ler com fluência. 

Levantam-se, assim, algumas questões pertinentes:

- Como ajudar os alunos a mobilizar os recursos cognitivos complexos necessários para construir significado?

-Como estabelecer as necessárias capacidades de conexão, as bridging skills, que propiciam o encantamento da descoberta de tudo perceber?

  

In reply to Maria Helena Machado de Sousa Magalhães

Re: Tarefa 1-A compreensão da leitura não é automática, mesmo quando há fluência na leitura

by Cristina de Jesus Espiguinha Dias -
Ouso responder às suas questões:
Estas duas questões apontam para uma ideia essencial: compreender não é apenas receber informação, mas construir significado a partir dela. Para ajudar os alunos nesse processo, é necessário ensiná-los a estabelecer relações entre diferentes elementos do texto, entre o texto e os seus conhecimentos prévios e entre aquilo que está explícito e aquilo que precisa de ser inferido.

As chamadas bridging skills podem ser entendidas precisamente como essas capacidades de ligação. Desenvolvem-se quando os alunos aprendem a identificar pistas, relacioná-las, recuperar informação anterior, antecipar sentidos, formular hipóteses e confirmar ou reformular essas hipóteses ao longo da leitura. O «pensar em voz alta» pode ser particularmente útil, porque permite tornar visível um processo cognitivo que normalmente permanece invisível.

Mais do que ensinar os alunos a chegar rapidamente à resposta certa, importa criar situações em que possam explicar como chegaram a determinada interpretação, que elementos do texto os levaram a essa conclusão e que conhecimentos mobilizaram. É nesse percurso entre pistas, conhecimentos e hipóteses que se constroem as pontes necessárias à compreensão.

O «encantamento da descoberta» referido na segunda questão poderá surgir precisamente quando o aluno percebe que consegue ir além do que está imediatamente escrito: uma palavra ganha outro sentido porque é relacionada com uma informação anterior; uma personagem é compreendida através de uma atitude aparentemente insignificante; uma ideia implícita torna-se evidente quando diferentes pistas são ligadas.

Assim, ajudar os alunos a desenvolver estas capacidades significa ensinar-lhes a fazer perguntas ao texto, estabelecer conexões e justificar as suas descobertas. Gradualmente, aquilo que inicialmente exige orientação do professor pode tornar-se um processo autónomo, permitindo que o aluno passe de uma leitura centrada na identificação de informação para uma leitura verdadeiramente interpretativa.

Obrigada, pela partilha.
In reply to Cristina de Jesus Espiguinha Dias

Re: Tarefa 1-A compreensão da leitura não é automática, mesmo quando há fluência na leitura

by Maria Helena Machado de Sousa Magalhães -

Muito obrigada pelo cuidado e qualidade das suas reflexões.

É desta oartilha salutar que renovamos formas de agir e pensarr. Bom fim de semana.