Há uma ideia do artigo que me parece particularmente útil para a prática: muitas vezes pedimos aos alunos que façam inferências, mas nem sempre lhes mostramos claramente como se chega a elas.
Perguntamos «O que podemos concluir?», «Porque terá a personagem agido assim?» ou «O que nos permite perceber esta passagem?» e acabamos, muitas vezes, por verificar se o aluno chegou ou não à resposta esperada. O artigo chama precisamente a atenção para esta diferença entre avaliar a capacidade de inferir e ensinar a fazer inferências. Para isso, é preciso habituar o aluno a voltar ao texto, procurar pistas, relacionar informações e recorrer, quando necessário, ao que já sabe.
O «pensar em voz alta» pode ter aqui bastante utilidade, também no 3.º ciclo e no secundário. O professor pode tornar visível um raciocínio que, para um leitor experiente, já é quase automático: «O texto diz isto», «antes aconteceu aquilo», «por isso, posso concluir que…». Aos poucos, esse apoio vai sendo retirado e o aluno começa a fazer esse percurso sozinho.
A questão que a colega coloca sobre o ensino secundário e o peso da leitura literária também me parece interessante. Talvez o problema não esteja propriamente na presença do texto literário, mas em esperar que o contacto com textos mais complexos desenvolva, por si só, uma compreensão mais profunda. O artigo mostra que a capacidade de inferir precisa de ser ensinada de forma explícita e que esse trabalho pode ser feito com diferentes tipos de texto. Aliás, o texto literário parece-me um espaço muito rico para este trabalho: perceber por que razão uma personagem age de determinada forma, relacionar uma atitude com algo que aconteceu antes, antecipar o que poderá acontecer ou compreender aquilo que o autor não diz diretamente. Mas, para que os alunos cheguem a essas interpretações, talvez seja necessário mostrar-lhes primeiro como se constrói esse caminho.
Também me parece importante a progressão sugerida no artigo: começar com maior orientação do professor, passar por um trabalho guiado e colaborativo e caminhar para uma leitura cada vez mais autónoma. O objetivo não será dar ao aluno a interpretação, mas ajudá-lo a adquirir estratégias para conseguir construí-la sozinho.
No fundo, talvez possamos dizer que ler textos mais exigentes não garante, por si só, uma leitura mais profunda. É preciso ensinar os alunos a pensar sobre aquilo que leem. E é precisamente por isso que me parece tão pertinente a ideia central de «A importância de aprender e ensinar a estabelecer inferências»: não basta pedir ao aluno que infira; é preciso ajudá-lo a perceber como se constrói essa inferência.
Perguntamos «O que podemos concluir?», «Porque terá a personagem agido assim?» ou «O que nos permite perceber esta passagem?» e acabamos, muitas vezes, por verificar se o aluno chegou ou não à resposta esperada. O artigo chama precisamente a atenção para esta diferença entre avaliar a capacidade de inferir e ensinar a fazer inferências. Para isso, é preciso habituar o aluno a voltar ao texto, procurar pistas, relacionar informações e recorrer, quando necessário, ao que já sabe.
O «pensar em voz alta» pode ter aqui bastante utilidade, também no 3.º ciclo e no secundário. O professor pode tornar visível um raciocínio que, para um leitor experiente, já é quase automático: «O texto diz isto», «antes aconteceu aquilo», «por isso, posso concluir que…». Aos poucos, esse apoio vai sendo retirado e o aluno começa a fazer esse percurso sozinho.
A questão que a colega coloca sobre o ensino secundário e o peso da leitura literária também me parece interessante. Talvez o problema não esteja propriamente na presença do texto literário, mas em esperar que o contacto com textos mais complexos desenvolva, por si só, uma compreensão mais profunda. O artigo mostra que a capacidade de inferir precisa de ser ensinada de forma explícita e que esse trabalho pode ser feito com diferentes tipos de texto. Aliás, o texto literário parece-me um espaço muito rico para este trabalho: perceber por que razão uma personagem age de determinada forma, relacionar uma atitude com algo que aconteceu antes, antecipar o que poderá acontecer ou compreender aquilo que o autor não diz diretamente. Mas, para que os alunos cheguem a essas interpretações, talvez seja necessário mostrar-lhes primeiro como se constrói esse caminho.
Também me parece importante a progressão sugerida no artigo: começar com maior orientação do professor, passar por um trabalho guiado e colaborativo e caminhar para uma leitura cada vez mais autónoma. O objetivo não será dar ao aluno a interpretação, mas ajudá-lo a adquirir estratégias para conseguir construí-la sozinho.
No fundo, talvez possamos dizer que ler textos mais exigentes não garante, por si só, uma leitura mais profunda. É preciso ensinar os alunos a pensar sobre aquilo que leem. E é precisamente por isso que me parece tão pertinente a ideia central de «A importância de aprender e ensinar a estabelecer inferências»: não basta pedir ao aluno que infira; é preciso ajudá-lo a perceber como se constrói essa inferência.