Textos

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by Noémia Jorge -
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- Excerto de "Cem anos de solidão"

- Fábula "A águia e a tartaruga"

- Textos de opinião 

In reply to Noémia Jorge

Re: Textos

by Maria Helena Machado de Sousa Magalhães -
Atividade prática- Que pré-leitura?
Proposta de reflexão didática sobre o papel, a pertinência e os riscos das atividades de pré-leitura no desenvolvimento da compreensão textual.
Exemplo 2- A águia e a tartaruga

1. Em que reside a complexidade do texto?
O vocabulário e sintaxe são simples. A complexidade reside na natureza alegórica e na duplicidade intencional das personagens. A tartaruga promete algo que não possui (como poderia dar à águia todas as riquezas do Mar Vermelho?), e a águia age como animal predador ardiloso. O leitor precisa de inferir a ironia da promessa e a transposição moral dos animais para o comportamento humano.

2. Qual poderá ser o objetivo da leitura?
O objetivo da leitura será analisar o conflito de interesses, a oposição psicológica entre os dois intervenientes na narrativa (ambição ilusória versus pragmatismo predador); descodificar a lição sobre os limites e a identidade; conhecer e reconhecer as características do género fábula e a sua função pedagógica/moral.

3.Que estratégias de pré-leitura se adequam a esse objetivo?
Através da ativação de conhecimento prévio sobre as características reais dos animais, utilizando uma ilustração, normalmente presente nestes livros, e o conhecimento do mundo dos alunos, serão ativados conceitos associados às características e comportamento natural destes animais, normalmente já presentes no imaginário dos alunos (a tartaruga surge nas fábulas associada a alguma lentidão, mas persistência, e a águia é um símbolo de poder, de liberdade).
Outras fábulas poderão ser sucintamente relembradas, por exemplo “A lebre e a tartaruga” para se perceber que estes textos são simbólicos, há uma realidade ficcional e um ensinamento moral. E qual é o objetivo desse ensinamento moral? Para que serve?

4. Que atividades de pré-leitura serão eficazes?
Tabela comparativa rápida no quadro: pedir aos alunos que indiquem duas características físicas e limitações da tartaruga terrestre e duas capacidades da águia.
Exemplo: tartaruga (anda devagar, carapaça pesada, vida terrestre e vida aquática) e águia (voa alto, garras, predadora…).
A seguir, lança-se a questão desestabilizadora: O que poderá acontecer se uma tartaruga se quiser comportar como uma ave de rapina?
Ativar o conceito de género fábula: textos curtos com animais em que existe sempre um conflito que encerra uma lição de vida.

5. Que atividades de pré-leitura poderão ser “armadilhas”?
Antecipar o desfecho ou a lição moral: revelar que a tartaruga vai morrer ou enunciar que “a ambição castiga”. Isso elimina a necessidade de construir inferências durante a leitura, anula a necessidade de leitura atenta e retira o impacto da narrativa.
Transformar a pré-leitura numa atividade exaustiva sobre os animais, afastando a turma da dimensão literária e moral do texto.

Maria Helena Magalhães
In reply to Maria Helena Machado de Sousa Magalhães

Re: Textos

by Noémia Jorge -
A reflexão e proposta da Maria Helena é, a meu ver, muito pertinente.
Não se prepara uma pré-leitura de ânimo leve, apenas com o intuito de motivar, mas com vista ao desenvolvimento de capacidades de leitura, e é isso que a Maria Helena mostra: formula um objetivo de leitura adequado ao texto/género e, em função disso, concebe uma pré-leitura rápida e simples de implementar, com base em duas estratégias: o diálogo pedagógico (em que o professor assume a função de guia) e o registo, no quadro, de conhecimentos prévios ativados de forma colaborativa, por toda a turma. Como diria Joceline Giasson ("A comprensão na leitura"), nesta pré-leitura estimulam-se os conhecimentos dos alunos (diálogo pedagógico), organizam-se esses conhecimentos (tabela comparativa, registada no quadro, por tópicos, apenas com informação essencial à compreensão do texto) e estabelecem-se relacões com o texto a ler (ativação do conceito de género fábula), evitando-se, de facto, as duas armadilhas referidas.

Não conseguimos fazer isso durante a sessão síncrona, por falta de tempo, mas, neste momento, com base nesta reflexão, conseguimos já acrescentar um novo tópico à lista de boas práticas no âmbito da conceção de atividades de pré-leitura: não transformar a pré-leitura numa atividade exaustiva sobre temas ou tópicos desenvolvidos/referidos/aflorados/associados ao texto a ler.