Trabalho Final - Elisabete Balhau - O tempo de leitura na sala de aula

Re: Trabalho Final - Elisabete Balhau - O tempo de leitura na sala de aula

by Luís Filipe Redes -
Number of replies: 0

A ligação que colocou para a obra na Biblioteca digital da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores - não funcionou por ter caracteres errados ou espaços que podem ter sido codificados erradamente quando o texto foi transformado em PDF. Entretanto, consegui aceder ao “site” e baixei-a em:

https://bibliotecadigital.ebsqf.pt/index.php?page=3&id=19

E é de facto uma excelente versão para o trabalho com os alunos e foi essa que utilizei neste comentário. A que apresenta a transcrição em tabela continua com vocábulos estranhos como cascavéis, manilhas e fanado. Como nas Aprendizagens Essenciais, a evolução do Português não é um conteúdo no ensino básico, sugiro que se limite a mostrar páginas em facsímile recorrendo à  edição da Biblioteca Nacional e a usar essa tabela apenas para exemplificar.

A obra tem cerca de 9709 palavras incluindo notas explicativas e lê-se em cerca de hora e meia (a 140 palavras por minuto, velocidade mínima de um aluno do 2.° ciclo). Tendo em consideração dúvidas, dificuldades e esclarecimentos necessários que surgem durante a leitura, 3 sessões de 50 minutos são suficientes para uma primeira leitura global do texto, a que se poderá voltar mais tarde, para tarefas de análise e interpretação profundas.

Para “explicitar o sentido global de um texto”, isto é, da carta, convém que a leitura seja o tão rápida quanto possível e não partida em longos e penosos pedaços. Para “reconhecer a forma como o texto está estruturado (diferentes partes e subpartes)”, que se trata de uma análise que a professora fará com os seus alunos, e não de um conteúdo que lhe dá no momento da leitura, interessa que a leitura integral e a apreensão global da carta seja feita antes.

Sendo um texto curto que envolve muitas dificuldades, parece-me que a primeira leitura ganha em ser “em voz alta (professora e alunos)” do texto integral. A “revelação do significado de algum vocabulário” seria adequada se a leitura fosse feita previamente em modo individual e autónomo, que neste texto me parece uma aposta arriscada, com alguns alunos a desistir logo ao princípio.

Que os alunos façam após a leitura uma sequência dos acontecimentos da viagem, que pesquisem “sobre costumes e crenças da época, bem como de dados biográficos de figuras históricas de relevo e de marcos da história nacional” e que tomem nota de palavras e expressões, que podem não ser só as do português da época, são ótimas atividades para que os alunos compreendam o texto e o significado contextual e histórico da carta.

Quanto à interdisciplinaridade, ela pode ser feita mesmo sem apelo ao professor de História que poderá responder que os Descobrimentos, que nas AE de História são designados de Expansão Portuguesa, são matéria do 8.º ano e que, com o tempo letivo de 2 aulas por semana, não poderá acolher qualquer outro projeto. Mas o professor de Português não precisa de pedir licença à disciplina de História para tratar de conteúdos históricos requeridos pela leitura de textos literários.

O plano tem boas ideias para pôr em prática a leitura deste texto canónico da literatura portuguesa. Referi-me predominantemente às dificuldades que prevejo e que me permitiam acrescentar alguma coisa a esta proposta.

Obrigado.