AÇÃO DE FORMAÇÃO: LITERATURA, PARA QUE TE QUERO? Registo de acreditação: CCPFC/RFO-120487/23 FORMANDA: Aida Maria Pereira Antunes TRABALHO FINAL: Como levar os alunos à leitura integral de uma obra? Nota introdutória Neste trabalho final, partilho uma estratégia que costumo usar nas minhas aulas no ensino secundário, para leitura de “Os Maias”, no 11.º ano, e de “Memorial do Convento”, no 12.º ano, no sentido de conseguir que os alunos leiam integralmente as obras. Partilho-a porque a experiência me tem mostrado que os resultados são bastante positivos. Não significa, no entanto, que todos os leiam na sua totalidade, mas muitos fazem-no e outros leem muito mais do que leriam se lhes propusesse essa tarefa sem orientação e/ou controlo. Como referi, uso esta estratégia para as duas obras, mas neste trabalho focar-me- -ei apenas numa. Obra selecionada: Memorial do convento, de José Saramago. O trabalho realizado na sala segue as orientações previstas nas Aprendizagens Essenciais para a disciplina de Português para os alunos do 12.º ano, traçadas pela DGE, que me abstenho de transcrever por serem de fácil acesso a todos. 1. Planificação * No início do ano, planifico o momento em que vamos ler/trabalhar a obra em sala de aula de forma mais estruturada (regra geral, no final do segundo período escolar e/ou no terceiro). * Divido o número de capítulos do livro pelo número de semanas que os alunos terão para realizar essa tarefa, combinando com eles o número de capítulos que têm de ler quinzenalmente. Este número varia e vai sendo reajustado, dependendo do trabalho que tiverem (avaliações, outras tarefas escolares que lhes exijam mais tempo, etc.). Tempo: 1.º e 2.º períodos letivos. Durante os dois períodos letivos, quinzenalmente, num dia fixo da semana, os primeiros 15 a 20 min da aula são dedicados à partilha da leitura feita, sendo os alunos convidados a fazer resumos orais, expor dificuldades sentidas, curiosidades, destaques, ler frases/excertos que consideraram interessantes e terão ainda de responder aos desafios previamente lançados (cf. “Estratégias” abaixo). Motivação A tarefa inicia por um momento de preparação/contextualização, em que, na aula, conversamos acerca do Convento de Mafra, vemos imagens, falamos acerca da escrita de Saramago, da sua visão crítica da sociedade. Tento criar alguma curiosidade acerca dos temas abordados, do carácter ficcional e histórico do romance, da história de amor presente, entre outros, fazendo uma análise do texto da contracapa. Leitura/estratégias O capítulo I é lido em sala de aula, para um primeiro contacto com a escrita do autor, constatação das regras de pontuação e a presença recorrente da ironia com intencionalidade crítica. Os restantes capítulos são lidos fora da sala de aula (leitura autónoma) mas com tarefas orientadoras para realizar (essas tarefas são diversificadas de capítulo para capítulo). Exemplos: - resumos (em texto ou esquema); - elaboração de texto crítico; - identificação de comentários do narrador e sua funcionalidade; - crítica subjacente a algumas passagens; - alguns exemplos da expressividade da linguagem; - identificação de passagens alusivas a imagens previamente fornecidas pela professora, geradas pela IA (Copilot); - ficha de verificação de leitura; - … Por regra, quando se chega à altura de trabalhar o romance em sala de aula, a maioria dos alunos já o leram, pelo que a leitura orientada de excertos e sua análise é bem mais fácil e produtiva. Avaliação - Participação nas atividades - Produções orais e escritas Conclusão Em jeito de conclusão, reitero que este trabalho tem como base apenas a minha experiência docente, que partilho por considerar que tem dado resultados bastante positivos e tem levado alunos a fazer leitura integrais que, de outra forma, duvido que f izessem. O facto de quinzenalmente fazermos um resumo oral dos capítulos destinados à quinzena faz com que um ou outro “mais distraído”, que não tenha lido algum excerto anterior, não desanime e possa continuar a partir dali, pois não perde o fio condutor da história. Há também os que talvez não lessem, mas acabam por fazê-lo, uns porque acabam por se sentir motivados ao ouvir os pares, outros porque sabem que naqueles dias terão mais um momento de avaliação. Obviamente que, entre todos, também há os que não leem e vão tentando “passar entre os pingos da chuva”.
Reedito o texto para melhor o poder ler:
AÇÃO DE FORMAÇÃO: LITERATURA, PARA QUE TE QUERO?
Registo de acreditação: CCPFC/RFO-120487/23
FORMANDA: Aida Maria Pereira Antunes
TRABALHO FINAL: Como levar os alunos à leitura integral de uma obra?
Nota introdutória
Neste trabalho final, partilho uma estratégia que costumo usar nas minhas aulas no ensino secundário, para leitura de “Os Maias”, no 11.º ano, e de “Memorial do Convento”, no 12.º ano, no sentido de conseguir que os alunos leiam integralmente as obras. Partilho-a porque a experiência me tem mostrado que os resultados são bastante positivos. Não significa, no entanto, que todos os leiam na sua totalidade, mas muitos fazem-no e outros leem muito mais do que leriam se lhes propusesse essa tarefa sem orientação e/ou controlo. Como referi, uso esta estratégia para as duas obras, mas neste trabalho focar-me-ei apenas numa.
Obra selecionada: Memorial do convento, de José Saramago.
O trabalho realizado na sala segue as orientações previstas nas Aprendizagens Essenciais para a disciplina de Português para os alunos do 12.º ano, traçadas pela DGE, que me abstenho de transcrever por serem de fácil acesso a todos.
Planificação
- No início do ano, planifico o momento em que vamos ler/trabalhar a obra em sala de aula de forma mais estruturada (regra geral, no final do segundo período escolar e/ou no terceiro).
- Divido o número de capítulos do livro pelo número de semanas que os alunos terão para realizar essa tarefa, combinando com eles o número de capítulos que têm de ler quinzenalmente. Este número varia e vai sendo reajustado, dependendo do trabalho que tiverem (avaliações, outras tarefas escolares que lhes exijam mais tempo, etc.).
Tempo: 1.º e 2.º períodos letivos.
Durante os dois períodos letivos, quinzenalmente, num dia fixo da semana, os primeiros 15 a 20 min da aula são dedicados à partilha da leitura feita, sendo os alunos convidados a fazer resumos orais, expor dificuldades sentidas, curiosidades, destaques, ler frases/excertos que consideraram interessantes e terão ainda de responder aos desafios previamente lançados (cf. “Estratégias” abaixo).
Motivação
A tarefa inicia por um momento de preparação/contextualização, em que, na aula, conversamos acerca do Convento de Mafra, vemos imagens, falamos acerca da escrita de Saramago, da sua visão crítica da sociedade. Tento criar alguma curiosidade acerca dos temas abordados, do carácter ficcional e histórico do romance, da história de amor presente, entre outros, fazendo uma análise do texto da contracapa.
Leitura/estratégias
O capítulo I é lido em sala de aula, para um primeiro contacto com a escrita do autor, constatação das regras de pontuação e a presença recorrente da ironia com intencionalidade crítica. Os restantes capítulos são lidos fora da sala de aula (leitura autónoma) mas com tarefas orientadoras para realizar (essas tarefas são diversificadas de capítulo para capítulo). Exemplos:
- resumos (em texto ou esquema);
- elaboração de texto crítico;
- identificação de comentários do narrador e sua funcionalidade;
- crítica subjacente a algumas passagens;
- alguns exemplos da expressividade da linguagem;
- identificação de passagens alusivas a imagens previamente fornecidas pela professora, geradas pela IA (Copilot);
- ficha de verificação de leitura;
- … Por regra, quando se chega à altura de trabalhar o romance em sala de aula, a maioria dos alunos já o leram, pelo que a leitura orientada de excertos e sua análise é bem mais fácil e produtiva.
Avaliação
- Participação nas atividades
- Produções orais e escritas
Conclusão
Em jeito de conclusão, reitero que este trabalho tem como base apenas a minha experiência docente, que partilho por considerar que tem dado resultados bastante positivos e tem levado alunos a fazer leitura integrais que, de outra forma, duvido que fizessem. O facto de quinzenalmente fazermos um resumo oral dos capítulos destinados à quinzena faz com que um ou outro “mais distraído”, que não tenha lido algum excerto anterior, não desanime e possa continuar a partir dali, pois não perde o fio condutor da história. Há também os que talvez não lessem, mas acabam por fazê-lo, uns porque acabam por se sentir motivados ao ouvir os pares, outros porque sabem que naqueles dias terão mais um momento de avaliação. Obviamente que, entre todos, também há os que não leem e vão tentando “passar entre os pingos da chuva”.
Parece-me uma proposta adequada para permitir a leitura integral e a continuidade necessária para assegurar uma perspetiva global da obra, pois eles têm várias disciplinas em que pensar. Se entre as partes lidas forem interpostos conteúdos ainda que relacionados com o texto, ser-lhes-á difícil perceber a história.
Aqui põe-se a leitura individual e autónoma em primeiro plano.
Dei-me ao trabalho de contabilizar o tempo necessário para completar a tarefa, tendo por base a velocidade de leitura de um aluno do 2.º ciclo. A obra tem cerca de 119000 palavras e é constituída por muitos capítulos curtos, não titulados, nem sequer numerados. Um leitor pouco experiente (140 palavras por minuto) necessitaria de 20 tempos letivos de 45 minutos sempre a ler. A ler em voz alta na aula, seria mais ou menos o mesmo tempo, pois a leitura em voz alta é mais lenta do que a leitura silenciosa. Se optássemos por dedicar 30mn ininterruptos por sessão precisaríamos de cerca de 28 aulas.
Esta opção é pelo menos económica no que diz respeito à gestão do tempo. Pode haver outras alternativas que combinem o tempo da aula com o fora da aula que permitiriam, talvez, uma maior garantia de efetividade.
Mas o que mais interessa é fornecer aos alunos uma experiência de leitura da obra a preceder tarefas de análise e interpretação mais profundas.
Obrigado