Reflexão "A importância de aprender e ensinar a estabelecer inferências" e “O papel dos pronomes na compreensão da leitura”

Reflexão "A importância de aprender e ensinar a estabelecer inferências" e “O papel dos pronomes na compreensão da leitura”

por Rute Silva Miranda -
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No artigo “A importância de aprender e ensinar a estabelecer inferências”, de Soraia Araújo e João Lopes, destaca-se a importância das inferências na compreensão da leitura. Os autores defendem que compreender um texto implica ir além da informação explícita, estabelecendo relações entre ideias, mobilizando conhecimentos prévios e construindo significados implícitos. São apresentados quatro tipos de inferências: anafóricas, que permitem identificar referentes; de conhecimento prévio, que articulam o texto com saberes do leitor; preditivas, que antecipam acontecimentos; e retrospetivas, que relacionam informação já lida com novos dados. O texto sublinha que estas competências devem ser ensinadas de forma explícita, através da modelação pelo professor, do pensamento em voz alta, da instrução guiada, da aprendizagem colaborativa e da prática autónoma. Destaca-se ainda o papel das estratégias metacognitivas, que ajudam os alunos a monitorizar a compreensão e a justificar as suas interpretações.  

Podemos estabelecer uma relação entre a inferência anafórica mencionada anteriormente e o artigo “O papel dos pronomes na compreensão da leitura”, dos mesmos autores. Neste artigo é analisado o papel dos pronomes na compreensão da leitura e defendida a necessidade do seu ensino explícito. Os autores explicam que os pronomes são elementos fundamentais para a coesão textual, pois substituem nomes ou expressões anteriormente referidos, permitindo estabelecer ligações dentro e entre frases. A capacidade de identificar a quem ou a quê um pronome se refere, designada por resolução do pronome, é geralmente automática nos leitores proficientes, mas constitui um desafio significativo para leitores menos experientes ou com dificuldades de compreensão. O artigo sublinha que falhas neste processo podem comprometer a construção do significado global do texto. Para apoiar os alunos, são propostas estratégias como o pensamento em voz alta, a modelação explícita do raciocínio do leitor, a dramatização através do teatro do leitor, a formulação de hipóteses e a substituição dos pronomes pelos respetivos antecedentes. Os autores concluem que o ensino sistemático da resolução dos pronomes contribui para desenvolver a compreensão leitora e para tornar os alunos leitores mais autónomos e eficazes.

Por fim, os autores apresentam estratégias e soluções para ensinar os alunos a compreenderem os pronomes e apresentam um exemplo prático de como modelar, de forma explícita, o processo de resolução de pronomes. Dado que este ano vou trabalhar com os alunos o texto Sermão de Santo António, de Padre António Vieira, tentei construir um exemplo semelhante a partir da referida obra:

 

Considere o seguinte excerto do texto Sermão de Santo António, de Padre António Vieira.

Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há de fazer, é lançá-lo fora como inútil, para que seja pisado por todos. Quem se atreverá a dizer tal coisa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça, que o pregador que ensina e faz o que deve; assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o que com a palavra ou com a vida prega o contrário

Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra, que se não deixa salgar, que se lhe há de fazer? Este ponto não resolveu Cristo nosso Senhor no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.

 

1. Leia o texto em voz alta para os alunos.

2. Pergunte-lhes: «Que significam as palavras sublinhadas neste parágrafo?»

3. Reescreva o texto, substituindo os pronomes pelos respetivos antecedentes.