Após a leitura atenta do artigo acima referido, concluo que efetivamente ler é compreender. Ler é ir além da descodificação e da compreensão das palavras. É compreender a mensagem do texto, estabelecendo conexões entre o que está escrito e o que se pode ler nas entrelinhas e entre a significação do texto e os conhecimentos e experiências prévias do leitor. Portanto, ler é construir uma representação mental coerente e adequada do sentido do texto. Neste sentido, a investigação tem mostrado que o ensino é uma variável crucial para que os alunos atinjam níveis elevados da compreensão. Logo, é necessário um ensino explícito, sistemático e progressivo em sala de aula que desenvolva e melhore as competências de compreensão.
De acordo com a estrutura dos sistemas de leitura, existem três fatores envolvidos no desenvolvimento da compreensão da leitura: I) Conhecimento: as crianças/jovens para compreenderem um texto têm de mobilizar três tipos de conhecimento: conhecimento ortográfico; conhecimento linguístico e o conhecimento prévio ou conhecimento geral. Muitas vezes, deparo-me com alunos que apresentam um défice ao nível do conhecimento linguístico, principalmente no conhecimento do vocabulário, o que dificulta logo à partida a compreensão de um texto, pois este conhecimento assume um papel crítico na leitura. Também se comprova que as crianças /jovens com mais conhecimento prévio, ou seja, com mais conhecimento sobre o mundo que as rodeia, demonstram maior capacidade para compreender um texto. Sendo a compreensão da leitura um processo complexo e multifacetado, resultando de um conjunto de processos linguísticos e cognitivos que operam no texto e que interagem com o conhecimento prévio, as características do texto e ainda com o propósito, objetivo do mesmo. Neste âmbito, convém salientar que as crianças/jovens para compreenderem um texto têm necessariamente de ativar três processos: a) ativação de significado; b) a produção de inferências; e c) monitorização da compreensão. Portanto, a ativação de significado permite às crianças/ jovens acederem à definição ou ao sentido das palavras de um texto. A compreensão da leitura consiste fundamentalmente em estabelecer inferências. Neste aspeto, os jovens alunos têm revelado algumas dificuldades o que tem comprometido a compreensão da leitura. Pois, estabelecer inferências constitui a pedra angular da compreensão da leitura. As inferências são, muito simplesmente, quaisquer informações que não estejam mencionadas explicitamente num texto. Mas cabe, neste aspeto, um papel importante aos professores, o de ensinar a estabelecer inferências, porque este fator constitui um ponto de partida muito importante para apoiar os alunos na compreensão da leitura. O ensino das inferências aumenta significativamente a compreensão da leitura dos alunos, ajuda-os a monitorizarem a leitura de uma forma mais adequada e encoraja-os a envolverem-se mais na leitura, independentemente do tipo de texto, ajudando-os a perceberem como processar adequadamente um texto. Por último, a monitorização da compreensão de um texto corresponde à capacidade que permite às crianças avaliarem a sua própria compreensão, identificarem quando compreenderam um texto de forma errada e quando é necessário resolver mal-entendidos. Os recursos cognitivos assumem um papel fundamental no desenvolvimento da compreensão da leitura. Os jovens devem ser capazes de realizar certas funções executivas que dizem respeito a um conjunto de processos que permitem às crianças/ jovens planear, organizar, controlar e regular os recursos cognitivos para atingir um objetivo. Portanto, aqui surge a memória do trabalho que significa a função executiva que diz respeito aos mecanismos ou processos envolvidos no controlo, regulação e manutenção ativa de informações relevantes para a realização de uma tarefa. Logo, um aluno que dispõe de mais recursos de memória de trabalho, tem a possibilidade de reter mais informações sobre um texto, logo isto permite que os alunos estabeleçam mais inferências, alcançando assim uma
compreensão extensiva do texto. Perante isto, qual o papel da aula de língua materna no desenvolvimento das competências complexas de leitura? Como os professores podem apoiar os jovens na compreensão da leitura? Por conseguinte, ler/pensar e ser são indissociáveis e isto, tem impacto em sala de aula, no modo como se lê e se ensina a ler. Sintetizando, na sala de aula, o professor deve ter em conta que na leitura de um texto há que atender ao leitor, à finalidade com que lê, o texto a ler, os contextos do leitor e dos textos, modelando comportamentos de leitor, auscultando e ajustando a leitura aos leitores e aos seus conhecimentos, de modo a cativá-los para os universos que se partilham pela leitura. Em suma, uma vez que a compreensão de um texto se afigura um processo complexo que mobiliza conhecimento, experiência, pensamento sobre o texto e acerca das estratégias a usar para o melhor compreender, o ensino eficiente, sistemático revela-se crucial. Por tudo isto, pretendo com a frequência desta ação de formação aprimorar estratégias que possam contribuir para um ensino mais efetivo e rigoroso e, assim, apoiar os alunos no processo complexo e multifacetado que é a compreensão da leitura.