Reflexão - Como utilizar a estrutura do texto para o compreender

Reflexão - Como utilizar a estrutura do texto para o compreender

por Nuno Filipe Araújo Machado dos Santos -
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               O segundo texto (pp.9-14) deste fascículo dedicado à compreensão da leitura procura explicar de que forma se pode utilizar a própria estrutura do texto para o compreender.

               A partir de um artigo de Hudson e dos seus colaboradores, propõe-se um sistema de aceleração da compreensão de leitura, por meio de três estruturas: a comparação, a relação causa-efeito e a cadeia problema-solução. No fundo, depois da leitura de um texto em aula, o professor conduz o questionamento oral dos alunos recorrendo a perguntas que ponham em destaque estas três estruturas e que lhes permitam mais facilmente formular a ideia principal do texto para, finalmente, conseguirem resumir o essencial.

               Este artigo fez-me refletir imediatamente sobre dois aspetos: i) o papel do professor enquanto mediador do texto literário; ii) uma vez que os exemplos dados no artigo se centram no texto narrativo e expositivo, será que estas três estruturas funcionam igualmente para o texto poético?

               Em relação ao papel do professor, penso que este artigo deixa claro que o docente de Português nunca poderá ser substituído por qualquer espécie de Inteligência Artificial, posto que a sua experiência (pessoal) de leitor, a forma como vai sentindo o público e conduzindo o seu pensamento são fundamentais para ajudar a desenvolver a capacidade inferencial dos alunos. Ainda que não consiga chegar a todos, dada a diferença de estádios de desenvolvimento intelectual e emocional que encontramos numa sala de aula, o professor é capaz de conduzir o pensamento dos alunos, em vez de lhes dar respostas imediatas, que não promovem o seu desenvolvimento.

               No que concerne à aplicação desta estratégia ao texto poético, penso que a mesma se pode aplicar de forma semelhante. Tendo em conta que o modo lírico se centra na expressão de sentimentos, parece-me que a identificação do(s) sentimento(s) do sujeito poético, bem como da(s) causa(s) associada(s) ou do(s) efeito(s) que ele provoca na vida do mesmo delimitam as ideias centrais da composição lírica e ajudam o aluno a compreender de que trata o poema. Sendo este modo literário aquele que normalmente levanta mais dificuldades de compreensão, sobretudo por causa da recorrente linguagem conotativa, creio que este “acelerador” poderá ser eficaz. Tentarei testá-lo desde já com o décimo ano no estudo da poesia trovadoresca.