Reflexão sobre o artigo «Que fatores influenciam o desenvolvimento da compreensão na leitura?»

Reflexão sobre o artigo «Que fatores influenciam o desenvolvimento da compreensão na leitura?»

por Cristina de Jesus Espiguinha Dias -
Número de respostas: 1

Pareceu-me importante este artigo, porquanto permitiu perceber  a importância que deriva da compreensão da leitura. Esta não é uma ação simples, pelo contrário, projeta-se a partir de dois vetores estruturantes, que devem manter-se unidos: leitura exata de palavras e compreensão oral das palavras. De facto, como depreendo do artigo, as crianças não podem ler sem compreender o que está escrito, mesmo que consigam perceber o significado das palavras de forma oral.

São três os fatores que influenciam o desenvolvimento da compreensão da leitura, seguindo a estrutura dos sistemas de leitura de Perfetti e Stafura:

1. Conhecimento (ortográfico; linguístico e prévio): as crianças apreendem vocabulário e mobilizam-no de forma o mais complexa possível. Quer isto dizer que quanto maior for o seu conhecimento vocabular e utilização mais complexa, incluindo mesmo mecanismos de coesão, mais facilmente poderão compreender um possível texto;

2. Processos integrantes de compreensão da leitura (ativação do significado; produção de inferências e monitorização da compreensão): estes processos mostram-nos que a experiência de leitura desenvolvida nas crianças, quanto mais ampla, melhores inferências potencia. Também é importante que a criança consiga perceber como se processa a sua compreensão da leitura, por forma a inteligir se apreendeu total ou parcialmente o a assunto de um qualquer texto;

3. Recursos cognitivos: consistem na organização da «memória de trabalho» (p.7) das crianças, ou seja, a sua capacidade de guardar mentalmente as quaisquer informações de um texto. Quem tem maior capacidade de memória pode inferir mais e, deste modo, compreender mais facilmente um texto.

O artigo conclui de forma interessante com as implicações para a sala de aula:

a) A linguagem oral estrutura a compreensão da leitura, ou seja, o professor incita os jovens a melhorar a sua linguagem:

b) O professor assume destaque como incentivador da leitura, fazendo com que os estudantes possam ampliar o seu vocabulário e, por inerência, desenvolvam a capacidade de inferir;

c) O professor tem, igualmente, a obrigação de ensinar os jovens estudantes a fazer inferências, incentivando-os a desenvolver com regularidade mapas temáticos, apresentações visuais (acrescentamos nós, infográficos) e diagramas diversos.

Para concluir, percebemos que a compreensão da leitura não é simples e deriva de um conjunto amplo de processos linguísticos e cognitivos que se apreendem durante a leitura dos textos e se aliam, necessariamente, a conhecimento  anterior (prévio), às características do texto selecionado e ao objetivo de leitura definido.

Bom trabalho para todos.

Em resposta a 'Cristina de Jesus Espiguinha Dias'

Re: Reflexão sobre o artigo «Que fatores influenciam o desenvolvimento da compreensão na leitura?»

por Paula Morgado -
Boa tarde, Cristina.
E obrigada pela reflexão que aqui nos deixou. Retiro dela uma afirmação sua que me fez lembrar uma situação em particular:
"De facto, como depreendo do artigo, as crianças não podem ler sem compreender o que está escrito, mesmo que consigam perceber o significado das palavras de forma oral."
Há três anos, recebemos no meu agrupamento um rapaz alemão para frequentar o 3.º ano de escolaridade. Este menino já tinha passado bastante tempo numa associação que existe no concelho em que trabalho, associação orientada para os processos de aprendizagem e desenvolvimento pessoal, especialmente na formação básica, em domínios como o da leitura, escrita, matemática, história, ciências ou as artes, e cuja atividade principal surge da necessidade de um conjunto de pais estrangeiros com filhos inscritos em educação doméstica obterem apoio pedagógico. Quando conheci a criança, integrada na minha turma de Inglês de 3.º ano de escolaridade, constatei que falava fluentemente inglês (língua em uso na associação) mas não era capaz de ler ou compreender qualquer palavra escrita nessa mesma língua. Este aluno tinha adquirido a oralidade da língua inglesa, mas era incapaz de associar os sons às palavras escritas, e não adquirira ainda nenhuma competência no que respeita à língua portuguesa.
Votos de um bom fim de semana.
Paula Morgado