Pareceu-me importante este artigo, porquanto permitiu perceber a importância que deriva da compreensão da leitura. Esta não é uma ação simples, pelo contrário, projeta-se a partir de dois vetores estruturantes, que devem manter-se unidos: leitura exata de palavras e compreensão oral das palavras. De facto, como depreendo do artigo, as crianças não podem ler sem compreender o que está escrito, mesmo que consigam perceber o significado das palavras de forma oral.
São três os fatores que influenciam o desenvolvimento da compreensão da leitura, seguindo a estrutura dos sistemas de leitura de Perfetti e Stafura:
1. Conhecimento (ortográfico; linguístico e prévio): as crianças apreendem vocabulário e mobilizam-no de forma o mais complexa possível. Quer isto dizer que quanto maior for o seu conhecimento vocabular e utilização mais complexa, incluindo mesmo mecanismos de coesão, mais facilmente poderão compreender um possível texto;
2. Processos integrantes de compreensão da leitura (ativação do significado; produção de inferências e monitorização da compreensão): estes processos mostram-nos que a experiência de leitura desenvolvida nas crianças, quanto mais ampla, melhores inferências potencia. Também é importante que a criança consiga perceber como se processa a sua compreensão da leitura, por forma a inteligir se apreendeu total ou parcialmente o a assunto de um qualquer texto;
3. Recursos cognitivos: consistem na organização da «memória de trabalho» (p.7) das crianças, ou seja, a sua capacidade de guardar mentalmente as quaisquer informações de um texto. Quem tem maior capacidade de memória pode inferir mais e, deste modo, compreender mais facilmente um texto.
O artigo conclui de forma interessante com as implicações para a sala de aula:
a) A linguagem oral estrutura a compreensão da leitura, ou seja, o professor incita os jovens a melhorar a sua linguagem:
b) O professor assume destaque como incentivador da leitura, fazendo com que os estudantes possam ampliar o seu vocabulário e, por inerência, desenvolvam a capacidade de inferir;
c) O professor tem, igualmente, a obrigação de ensinar os jovens estudantes a fazer inferências, incentivando-os a desenvolver com regularidade mapas temáticos, apresentações visuais (acrescentamos nós, infográficos) e diagramas diversos.
Para concluir, percebemos que a compreensão da leitura não é simples e deriva de um conjunto amplo de processos linguísticos e cognitivos que se apreendem durante a leitura dos textos e se aliam, necessariamente, a conhecimento anterior (prévio), às características do texto selecionado e ao objetivo de leitura definido.
Bom trabalho para todos.